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Ferida... SOS

Aquela moça corria dolorida como jamais esteve....
Para onde?
Talvez para o nada...
Porque corria para o desconhecido.
Sentia-se corroída pela consumação da vida, machucada pelos milhares de tropeços em grandes rochas que a deixaram sangrando e com cicatrizes que ela tentava esconder.
Lia era uma moça espontânea e um tanto retraída. Quem a visse achava que ela já havia feito todas as malandragens da vida, entretanto ela tinha pureza dentro de si e não era o que os outros viam. Era até insegura e medrosa quando tinha outras faces. Acho que a Menina Sorriso tinha algum medo que nem mesmo conseguia compreender, talvez uma vergonha e deixava aquele sorriso por momentos.

"Eu posso ser o que você quer ver, mas nunca serei quem você quer que eu seja". - ela me disse isso à beira de um penhasco no meio da mata.

Meses depois dessa declaração eu a vi a beira de outro penhasco, esse já não era da mata, era o penhasco da vida, da dualidade. Ela estava sangrando, rosto arranhado, mãos cortadas, boca sangrava, sangue escorria por suas pernas, cabelos caíam e se misturavam ao sangue que se depositavam no solo. Ela chorava. As cicatrizes de penhascos passados mau cicatrizavam e já estava com novas feridas, isso era incompreensível e uma interrogação para a minha menina, ela só pedia uma abraço e um ombro para se apoiar. Mesmo ensaguentada eu fui capaz de acolhê-la em mim. Era tudo que eu podia fazer antes que...
Lia dizia se sentir solitária o tempo todo, mesmo estando rodeada por milhares de pessoas. Agora não era a solidão em si que fazia ela se sentir assim, era a falta de confiança nas pessoas e as decepções que teve com aqueles que um dia disseram amá-la e estar com ela. Enfim, ela sempre teve previsões e visões sobre isso e negou o que percebia tentando ser feliz e se encontrar.

Hoje ela se encontra em um monte de folhas secas que caem exageradamente deixando a árvore sobreviver.

"Enquanto alguns sobrevivem, outros morrem." - mais uma vez minha menina tentava conversar comigo sobre sua dor. "Tenho que encontrar meus ramos e me desprender, soltar as folhas que matam a árvore. Bill (ela sussurrava como uma prece)... Bill, me ajude!" Eu não podia negar estar naquele momento junto ao seu corpo, afinal ela era minha, era meu reflexo, minha reflexão, era o que eu sempre fui e escondi. Ela era vida, era dor, era alegria e prazer, era tão somente ELA e seu MUNDO.

Meses e anos sofrendo com dores, sangramentos, decepções e desilusões, além da tal pergunta: "Quanto ao futuro?"
Minha menina teve o final que eu não queria...

Um dia, ela saltou do seu penhasco e foi para o que ela chamava de "sonho, sorriso eterno" e me deixou aqui desolado por não ter em quem refletir, em quem ser e dar amor.
Ela suportou todos os seus momentos com garra, força e coragem. Assumiu as consequências de viver, amar e tentar ser mais "gente". Viveu...

Que a poesia encha-a onde esteja, que ela preencha cada momento, ar, amor, vida e morte.

Um comentário:

  1. Esperava que ela encontrasse o planalto depois do penhasco, já que havia superado a planície ao chegar alí, ainda que com feridas, o que é normal. Mas parabéns! É uma história muito similar a realidade de muitos personagens como Lia. Bjs Dondon

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