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A espera como caminho para realização


Ela abria os olhos e por aquele vidro via ele descer as escadas. Do primeiro andar a imagem era bem restrita, não dava para identificar pequenos detalhes, mas seu coração lhe afirmava com toda certeza de que era seu amado que descia aquelas escadas no hangar.


Há meses Lia esperava e sonhava com aquela cena, mas estava boquiaberta. Um leve sorriso de espanto e alegria faziam dobras em suas bochechas.

Nesse momento ela teve a confirmação de que o tempo é o maior senhor de sua vida. No passado não conseguia compreender a essência da frase "dê tempo ao tempo", naquele instante pequenas lembranças, detalhes e desencontros vieram a sua memória e a fizeram lembrar do quanto havia aprendido e amadurecido.

O tempo serviu para por em ordem o que merecia preferência em sua vida. Assim como, decidir quais eram as prioridades e quais eram os verdadeiros sonhos. O que move as pessoas são os sonhos, os objetivos, a vontade de que tudo dê certo, todos estes são movidos por uma única vontade: ser feliz. Lia havia colocado como prioridade sua felicidade e realização pessoal, decidira que não faria nada que não a fizesse feliz, nada que fosse contra sua vontade. Agora sua prioridade era o que a faria feliz, os seus desejos.

Ela também havia colocado o amor em lugar privilegiado, algo que nunca aprendeu a fazer e se achava incapaz de conseguir e se descobriu imensamente capaz de amar. Amar sem esperar, querer ver o outro feliz mesmo longe e sem a sua presença. Ela simplesmente decidira amar, pois o amor é uma decisão e é preciso muita coragem.

Sensações e situações novas despertam curiosidade e medo, a moça decidira encarar a vida, encarar a si mesma e isso não depertava nem um pouco de medo, apenas curiosidade do futuro. Dessa vez ela não deixaria nenhuma oscilação destruir seus sonhos, iria até o fim por eles e pelas causas que acreditava.
 
Aquele homem que os olhos inspiravam poesia veio ao seu encontro. Depois de meses de espera ali estava o momento consumado. E lágrimas de alegria banhavam os olhos da morena que nunca se julgou merecedora de nenhum amor.
Felizmente o destino e a vida lhe ensinaram que todos tem direito ao amor, a amar e ser amado.
 
O futuro é uma icógnita. A vida como integrante desse futuro também será uma eterna icógnita. E Lia como integrante fiel da vida também será uma icógnita, não sei se será eterna, mas será. Até o gran finale eu decido.
 
Como essa moça já sabe bem o que quer e o que pode vir a querer, vou deixá-la cuidar de si própria. No fim a literatura acaba falando por sí própria, cria sua linguagem, cria vida e deixa seu autor (pai), é o ciclo de tudo na vida.
 
Essa história não terá gran finale. Não se pode prever o que acontecerá daqui em diante, tudo é inscontante porque o ciclo sofre alterações, oscilações e eu como autor não consigo pensar em todos os detalhes sozinho, agora minha história criou vida e segue sozinha, não precisa mais de minha ajuda.
 
O universo é uma icógnita, assim como o futuro, como eu, você e Lia. A todo momento podemos mudar o fim, não mais o início.

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