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Coragem para viver e amar

Eu estava a andar em cima da calçada quando deparei com um rapaz do lado oposto da rua. Ao avistá-lo parecia que já o conhecia, que já haviamos tido intimidade ou algo semelhante. Entretanto, não conseguia me lembrar de algo concreto.
Ambos estávamos andando no mesmo sentido, apenas em lados opostos. Mas a direção e o objetivo eram um só. Eu podia sentir isso.
Angustiada e curiosa para conhecê-lo, atrevi e fui ao seu encontro. O comprimentei com um alegre e tímido "boa noite" em seguida, me apresentando "Prazer, Lia".
Não sei o que se passava em minha fabulosa mente naquele instante de total atrevimento e coragem. Só sei que deu certo.
O rapaz me comprimentou com toda educação "Prazer conhecê-la também, Lia". Próximo dali havia um parque, o convidei para apreciar um sorvete e ele aceitou, então fomos. Chegando lá, nos acomodamos próximo ao lago, sentados na grama e com sorvete em mãos. Conversamos sobre vários assuntos, tamanha era nossa afinidade.
Trocamos telefones e combinamos de entrarmos em contato um com o outro. Como mulher, logo me senti anciosa para a chegada do dia em que ouvisse a voz dele ao telefone e no mesmo instante insegura dele não ligar.
Passados alguns meses já estávamos a namorar e aparentemente felizes. Mas havia um detalhe que eu não contara a ele para poupá-lo do sofrimento, pois amar é querer ver o outro feliz, nem que para isso tenha que se fazer renúncias. Ele muitas vezes não compreendia minhas atitudes, brigávamos e nesses momentos havia um sábio que nos dizia:
"Não briguem por besteira, a vida passa e as vezes não fomos felizes porque demos atenção demais a coisas que não mereciam e o amor é pra ser vivido no presente e não no passado e nem no futuro então aproveitem enquanto o tem em tuas mãos."
A verdade é que eu estava com os meus dias contados, o câncer já consumia meu estômago e eu começava a sentir muitas dores e passar muito mal. A quimioterapia já não bastava e eu sabia que morreria em breve.
Em todos os momentos de fraqueza e de luta contra a doença, lá estava ele ao meu lado, mesmo no período que eu precisava ser hospitalizada. Os médicos já não podiam fazer mais nada, apenas tentar aliviar minha dor. E incrivelmente eu não a sentia, porque eu estava tomada de amor e paixão e esta era a minha fonte de forças e motivação. O que importava pra mim naquele momento era ser feliz, amar até o último suspiro. E assim foi.
Minhas últimas palavras foram a Juan, pedi que ele amasse novamente, eu queria vê-lo feliz!
Hoje, aqui onde estou percebo que é preciso abrir mão de algumas coisas para ser feliz e que é preciso ter coragem para viver e sobreviver, é preciso ser inteligente para não fazer escolhas "erradas" ou ir pelo caminho mais longo e não chegar a lugar algum. Na vida é preciso ter objetivos, sonhos e coragem para conquistá-los. Por mais que as dificuldades e adversidades cheguem é preciso permanecer no degrau que se está, para em seguida retomar a subida.

Beijos,
Lia.

2 comentários:

  1. Como eu sempre digo a você, minha idala vc escreve muito... perfeita a História.

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  2. Uauu maninha, gostei tanto do txto que li, reli e depois fiquei a pensar sobre ele, o amor é algo tão forte que permnece nítido e forte até o ultimo suspiro que nos despede da vida, isso quando ele é sincero. Parabéns novamente. vcê sabe que sou teu fã.! Bjos...

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