Postagens

Entidades avisaram autoridades sobre riscos em SC

Edição de outubro do jornal da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Médio Vale do Itajaí, que alertava
O engenheiro Juliano Gonçalves, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Médio Vale do Itajaí (AEAMVI), disse ao G1 que 90% da catástrofe causada pelas enchentes em Santa Catarina poderia ter sido evitada se as autoridades tivessem ouvido os alertas das entidades técnicas. Segundo ele, alertas de riscos foram feitos – e ignorados – ao longo de todo o ano.
Gonçalves afirmou que inúmeros seminários sobre o tema foram realizados e contaram com a participação de representantes do governo local. O secretário de Planejamento Urbano de Blumenau, Walfredo Balistieri, no entanto, disse que não recebeu nenhuma comunicação a respeito do volume de chuvas que atingiria a cidade e nem documentos que tratassem dos riscos de desabamentos. Além disso, ele ressaltou que este não é um problema que pode ser resolvido em “apenas um ou dois anos”.
O número de mortos pelas cheias em Santa Catarina já chega a 118, além de 31 desaparecidos e mais de 32 mil desabrigados, segundo a Defesa Civil.
A catástrofe destruiu o porto de Itajaí e rodovias, cujo custo estimado de reconstrução passa dos R$ 300 milhões.
Gonçalves, que participa, até sexta-feira (5), do Congresso Mundial de Engenharia, em Brasília, insiste que o governo foi avisado. “Durante o ano inteiro, nós alertamos as autoridades por vários meios de comunicação da necessidade de realocação urgente de famílias nas áreas de risco e em ocupações irregulares. Infelizmente, nosso alerta não foi entendido pelas autoridades”, disse .
“Trinta dias antes da tragédia em Blumenau e região, a associação lançou seu jornal, que é histórico e tem mais de 20 anos de circulação, e colocamos lá claramente: as lições da tragédia de 1990 no bairro Garcia [tradicionalmente atingido pelas cheias] estavam sendo ignoradas pelas autoridades e estávamos na iminência de ter uma nova tragédia de grandes proporções”, disse Gonçalves.
Segundo o engenheiro, horas antes de a enchente e as enxurradas atingirem Blumenau, as autoridades tentavam minimizar os riscos iminentes. “As autoridades informavam à população para ficar tranqüila, porque não ia dar enchente. Isso é situação que precisa aperfeiçoar”, salientou.
“Fizemos uma estimativa e tenho certeza que pelo menos 90% do problema teria sido evitado se nós tivéssemos uma técnica aplicada de forma adequada. Ou seja, projetos habitacionais corretos, a não-ocupação de áreas de risco e um sistema de prevenção de cheias eficiente. Certamente, teria evitado perda de vidas humanas”, declarou.
Na avaliação do profissional, se as edificações tivessem o acompanhamento técnico necessário, os catarinenses estariam resolvendo problemas pontuais e não haveria vítimas fatais. “Nós estaríamos hoje atendendo casos isolados de problemas e não uma tragédia de proporções catastróficas”, avaliou.
O engenheiro explica que, ao contrário do que em anos anteriores, as enchentes deste ano se somaram a deslizamentos e, por isso, o estrago foi muito maior do que em outras ocasiões. “Em 1983 e 1984, tivemos as enchentes. Em 1990, tivemos os deslizamentos de encostas. Agora, os dois fenômenos naturais se juntaram”, disse.
‘Como médicos’
Para Gonçalves, o governo só deveria liberar recursos para reconstrução de casa mediante acompanhamento técnico de engenheiros em cada região. Na avaliação dele, isso evitaria novas catástrofes dessa dimensão.
“O cidadão de baixa renda é o que menos tem acesso, e, assim como outras áreas como medicina e direito, nós precisamos que o governo tenha instrumentos que viabilizem a presença de um engenheiro para o cidadão que não tem acesso a um profissional para acompanhar a construção da sua casa, fazer um laudo na questão de saneamento e ocupação”, sugeriu. “Nas verbas liberadas e financiamentos [habitacionais], já devia estar incluso o preço da mão-de-obra técnica.”


Fonte: G1
04/12/2008 14:41

0 comentários:

Agradeço sua visita. Deixe seu comentário, crítica ou sugestão logo abaixo.